Património Judaico

Apesar de se poder considerar que a presença judaica na Beira Interior teria já alguma expressão no séc. XII, foi essencialmente a partir de 1492, com a entrada massiva em Portugal de cerca de 120.000 refugiados sefarditas expulsos pelos réis católicos de Espanha, que o panorama da região em termos urbanos, culturais, económicos e sociais se alterou radicalmente. Apesar de incrivelmente dissimulada, escondida, desapercebida, esta presença era tantas vezes absolutamente evidente.

Alguns historiadores consideram que os judeus chegaram a constituir ¼ da nossa população. Vários concelhos apresentam particularidades emblemáticas do património judaico, expresso sob a forma arquitectónica, cultural e predominantemente económica, pela forte tradição comercial e empreendedora de origem judaica.

Todavia, é em Belmonte, onde se presencia a existência de uma comunidade, que sob hábeis formas de embuste perante as vicissitudes e atentados contra à sua religião, se manteve, em convivência com católicos, uma comunidade cripto-judaica. Sem livros sagrados, nem chefes religiosos, a comunidade judaica criou uma prática sincrética, cujas evidências a tornaria herética aos olhos tanto do Judaísmo como do Catolicismo. A solidariedade histórica e social era favorecida pela endogamia e pelo anti-semitismo. Longe dos padrões da ortodoxia, secretamente recriaram e reconstruíram ensinamentos. Habituaram-se a ocultar a tradição e a ser, como dizem “católicos de fachada e judeus de coração”.

 

PORQUÊ A ESCOLHA DO PATRIMÓNIO JUDAICO?

Hoje, o direito de cidadania, do respeito pelas minorias étnicas, da igualdade de oportunidades fala mais alto e gera impulsos que, se geridos com criatividade e singularidade, se traduzem em oportunidades potenciais. Observa-se que:

Os concelhos envolvidos no projecto apresentam património cultural material e imaterial da cultura judaica emblemático que são capazes de gerar dinâmicas nos vários sectores de actividade;

  • Ao abrigo de outros quadros comunitários, os vários municípios têm vindo a valorizar e a regenerar outros imóveis para dinamizar a temática judaica;
  • Os agentes de desenvolvimento fomentam uma integração harmoniosa das culturas com base no respeito e o diálogo inter-cultural; — Já existe concertação entre os concelhos no desenvolvimento de acções imateriais alusivas à temática (seminários, jornadas, conferências, rotas turísticas, etc.);
  • Nos últimos meses, decorreu um processo de amadurecimento da construção de uma rede do judaísmo que cria a base de sustentação de um projecto com estas características; — Privados já identificaram oportunidades e desenvolveram produtos “Kosher” (mel, doces, vinho, etc.); Rede do Património Judaico
  • Belmonte, Covilhã, Manteigas, Trancoso, e Almeida.
  • Existe concordância entre os concelhos implícitos quer no domínio público, quer no privado, em concertar estratégias integradoras e em rede capazes de gerar efeitos multiplicadores;
  • Existe capital humano motivado na forma de uma comunidade judaica activa e com atitude empreendedora para colaborar na requalificação, concertação e promoção deste património;
  • É um destino visitado pela comunidade judaica externa a Portugal, circunstância indicativa do potencial residente, necessitando apenas de ser despoletado e estrategicamente trabalhado;
  • Potencial gerador de emprego e de integração da mão-de-obra libertada pela indústria que sofreu um processo de modernização e que tem aqui uma nova oportunidade.